Moreira César - Coronel
Moreira César - Coronel

Militar, natural de Pindamonhangaba/SP. Interventor Federal em Santa Catarina, no século XIX. Comandante de operações militares, incluindo a de repressão aos federalistas, que executou 200 pessoas, aproximadamente.

Informações Gerais

Nome completo
Antônio Moreira César
Filiação
Antônio Moreira César de Almeida e Francisca Correia de Toledo
Nascimento
07/07/1850
Local de nascimento
Pindamonhangaba/SP
Falecimento
04/03/1897
Local de falecimento
Canudos/BA
Formação
Militar
Profissão
Militar

Moreira César - Coronel

Nasceu em 7 de julho de 1850, em Pindamonhangaba/SP. Filho de Antônio Moreira César de Almeida e de Francisca Correia de Toledo. Consta que seu pai era padre e que em seu registro militar ocultou o nome dos pais.

Graduado no curso de Estado Maior de Primeira Classe, no Exército Brasileiro. Na carreira militar recebeu as seguintes promoções: Alferes (1877); Tenente e Capitão (1881), por mérito; Major (1890); Tenente-Coronel, por merecimento (1891); e de Coronel da Armada de Infantaria (1892).

Em 1881, foi Professor Adjunto do Depósito de Aprendizes de Artilheiros. No ano de 1885 foi nomeado Comandante do Batalhão de Campos, no Rio de Janeiro/RJ. 

Em 1886, participou de missão realizada na fronteira com o Uruguai, foi encarregado de fiscalizar o Batalhão (a partir de 1888), e Ajudante do mesmo (1889). Foi considerado o maior especialista da força terrestre do Exército Brasileiro. 

Devido à forma como atuava em missões militares, tinha fama de ser carrasco e implacável com os inimigos do Estado, sendo conhecido como “Treme-Terra”, “Corta-Cabeças” e “Anticristo”. Teve uma transferência forçada para o Mato Grosso/MT, após participar do assassinato de Apulcro de Castro (em 1883), redator do jornal Corsário, do Rio de Janeiro.

Por alguns meses no ano de 1891, comandou o 33º Batalhão de Infantaria, em  Aracaju/SE, para conter os conflitos estabelecidos entre a sociedade e o governo local, fiel à causa republicana.

Comandava o 9º Batalhão de Infantaria, em Salvador, desde 14 de novembro de 1891, já era Tenente-Coronel quando participou da derrubada de José Gonçalves da Silva, Presidente da Bahia (atual cargo de Governador), no final desse ano. Entre 24 de novembro e 22 de dezembro de 1891, ocupou o cargo de Chefe de Polícia da Bahia.

Devido às diversas revoltas que aconteciam pelo país, Moreira César assumiu como Comandante do 7º Batalhão de Infantaria, em abril de 1892. Depois dirigiu o Batalhão de Niterói/RJ (a partir de dezembro de 1892) com a ordem de conter a revolta do corpo policial da cidade, que se rebelava contra a ordem estabelecida. Nessa altura, comandava o 33º e o 7º Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro.

Durante a Revolta da Armada (1893-1894), quando marinheiros brasileiros se rebelaram contra o governo do Presidente do Brasil, Marechal Floriano Peixoto e apontaram canhões contra o Rio de Janeiro, em setembro de 1893, e estendida à região Sul do país até março de 1894, Moreira César (Comandante do 7º Batalhão), planejou ataques contra áreas ocupadas e defendidas pelos rebelados, entre elas, a Ilha do Governador (área estratégica para os revoltosos), no Rio de Janeiro.

Após concluir a tomada da Ilha do Governador, permaneceu no comando do 7º Batalhão até 9 de fevereiro de 1894, quando assumiu a unidade Augusto Frederico Caldwell. Passando Moreira César a Comandante da Brigada e responsável por operações nas ilhas de Paquetá e do Governador.

No contexto da Revolução Federalista (1893-1895), iniciada no Rio Grande do Sul e expandida para os Estados do Paraná e Santa Catarina, Moreira César desembarcou na cidade de Desterro/SC (atual Florianópolis), em 19 de abril de 1894, com o objetivo de colocar ordem no Estado catarinense, determinada pelo governo do Marechal Floriano Peixoto, de conter os insurgentes, acompanhado de 500 homens dos dois batalhões que comandou, denominada “tropa legalista”. 

Nomeado Interventor Federal em Santa Catarina, por Floriano Peixoto, assumiu a administração do Estado no lugar do interino Cristóvão Nunes Pires, um dos substitutos do Tenente Manoel Joaquim Machado, destituído do cargo por Floriano. Moreira governou de 22 de abril de 1894 a 28 de setembro de 1894 e uma de suas primeiras ações foi enviar um Comissário de Polícia à Lages para reprimir os envolvidos locais na Revolução Federalista.

Em seguida, Moreira César, promoveu um “ajuste de contas” com os rebeldes federalistas em todo o território catarinense, realizando prisões, fuzilamentos e enforcamentos de militares e civis que apoiavam a Revolução e eram contrários ao governo federal, muitas execuções, sem investigação e julgamento.

O número de mortos (fuzilados ou enforcados) no massacre variam entre os dados oficiais e os apurados em pesquisas (passam de 200). Entre os fuzilados estavam os Deputados Estaduais catarinenses: Elesbão Pinto da Luz; Tobias Becker; João Evangelista Leal; Luís Gomes Caldeira de Andrada; além do baiano Alfredo Paulo de Freitas, major-médico em Desterro; Francisco Antônio Vieira Caldas, Chefe de Polícia; Manuel de Almeida da Gama Lobo Coelho d'Eça (Barão de Batovi), militar e um dos heróis da Guerra do Paraguai, que morreu abraçado ao seu filho, Alfredo Gama d’Eça. 

No governo catarinense foi substituído por Hercílio Luz, eleito por voto direto.

Com a situação controlada no Estado catarinense, a Capital chamada até então de Nossa Senhora do Desterro, foi rebatizada como Florianópolis, em homenagem ao Marechal Floriano Peixoto.

O Coronel permaneceu em Santa Catarina até o final de 1896, ano em que seguiu com seus homens para a Capital Federal (na época, Rio de Janeiro) e, no início do ano de 1897, deixou o comando do mesmo Batalhão para comandar uma Brigada, a terceira expedição enviada a Canudos, na Bahia, durante a Guerra de Canudos (1896-1897), após o fracasso de duas incursões militares anteriores. 

Desembarcou em Salvador no dia 6 de fevereiro de 1897, partiu para a cidade de Monte Santo com 1.300 homens, 6 canhões, 5 médicos, 2 engenheiros militares, ambulâncias e munições, além de alimentos. Nos dias em que esteve nesta operação sofreu crises epilépticas e seu exército foi atacado diversas vezes por homens de Antônio Conselheiro, religioso da época, apoiador das revoltas e uma das lideranças do Arraial de Canudos.

No dia 2 de março de 1897, as tropas chegaram às proximidades do Arraial e, no dia seguinte, Moreira César ordenou o ataque. Embora fossem recebidos a bala pelos defensores de Canudos, as forças do exército conseguiram invadir e conquistar algumas casas; porém, foram obrigadas a recuar, porque tinham pouca munição.

No combate, Moreira César foi atingido no abdômen e o comando do Batalhão foi transferido ao Coronel Pedro Tamarindo - que decidiu recuar com a tropa. 

Faleceu em 4 de março de 1897, em Canudos/BA, doze horas após ser ferido.

Era considerado pelos militares da época o provável sucessor do Marechal Floriano Peixoto, como Presidente da República, se tivesse alcançado êxito na Guerra de Canudos.

Homenagens

  • Distrito de Pindamonhangaba/SP, renomeado de Moreira César.
  • Diversas ruas denominadas de Coronel Moreira César (Campo Grande/MS; Niterói/ RJ; Rio de Janeiro/RJ; São Gonçalo/RJ; Marília/SP; Pindamonhangaba).
  • Praça Coronel Antônio Moreira César, em Lajeado/RS.
  • Moção de Agradecimento do Congresso do Estado de Santa Catarina pelos serviços prestados no Estado, expedida em 2 de outubro de 1894.

Imagens

Foto: Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim com localização onde aconteciam os enforcamentos e os fuzilamentos
Fonte: Reprodução/ BLOG Angelina Wittmann.
 
Imagem - Assinatura de Antônio Moreira César
Fonte: CORRÊA, 1983, p. 101.

Mandatos

Referências

ANDRADE, Eveline. A cidade nos campos de cima da serra: Experiências de urbanização e saúde em Lages-SC - 1870 a 1910. 2011. 317 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de História, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2011. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rMTQwMTI=>. Acesso em: 25 mai. 2017.

CORRÊA, Carlos Humberto Pederneiras. Os Governantes de Santa Catarina de 1739 a 1982. Florianópolis: Editora da UFSC, 1983. 356 p.

COSTA, Marcelo. O Diário Perdido do Coronel Antônio Moreira César: Primeira Página do Diário. 2011. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rODg5MjY=>. Acesso em: 5 jun. 2019.

FORTALEZAS.ORG. Antônio Moreira César. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rODg5Mzk=>. Acesso em: 5 jun. 2019.

HISTORY. Morre Antônio Moreira César, militar brasileiro. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rODg5MTM=>. Acesso em: 5 jun. 2019.

PIAZZA, Walter F. Dicionário Político Catarinense. Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1994. 714 p.

PIAZZA, Walter F. O Poder Legislativo Catarinense: das suas raízes aos nossos dias 1834-1984. Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1984. 800 p.

REBOUÇAS, Fernando. Moreira César. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rODg5NTI=>. Acesso em: 5 jun. 2019.

SANTANA, Miriam Ilza. Revolta da Armada. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rODg4ODc=>. Acesso em: 5 jun. 2019.

SANTANA, Miriam Ilza. Revolução Federalista. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rMzY0NzU=>. Acesso em: 7 fev. 2017.

STOETERAU, Lígia De Oliveira. A Trajetória do Poder Legislativo Catarinense.. Florianópolis: IOESC, 2000. 446 p.

VELASCO, Valquiria. Guerra de Canudos. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rODg5MDA=>. Acesso em: 5 jun. 2019.

WITTMANN, Angelina. Foto: Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim. 2016. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rMzA3MjY=>. Acesso em: 2 jun. 2018.

Como citar este documento
Referência

MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA. Biografia Moreira César - Coronel. 2019. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/1327-Moreira_Cesar_Coronel>. Acesso em: 16 de julho de 2019.

Citação com autor incluído no texto

Memória Política de Santa Catarina (2019)

Citação com autor não incluído no texto

(MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA, 2019)

Memória Política de Santa Catarina