Virgílio Várzea
Virgílio Várzea

Funcionário público, jornalista, professor, literato e escritor, natural de Desterro/SC. Deputado Constituinte de 1892 e Deputado Estadual na Assembleia Legislativa Catarinense. Criador do gênero marinhista na literatura latino-americana.

Informações Gerais

Nome completo
Virgílio dos Reis Várzea
Filiação
João Esteves Várzea e Júlia Maria Alves de Brito
Nascimento
06/01/1865
Local de nascimento
Desterro/SC
Falecimento
29/12/1941
Local de falecimento
Rio de Janeiro/RJ
Profissão
Funcionário público, jornalista, professor, literato e escritor

Virgílio Várzea

Nasceu dia 6 de janeiro de 1865, na freguesia de São Francisco de Paula de Canasvieiras, norte da Ilha de Santa Catarina, em Desterro/SC (atual Florianópolis).

Filho de João Esteves Várzea e Júlia Maria Lemos Alves de Brito. Seu pai era Oficial (Capitão) da Marinha Portuguesa. Sua mãe era filha do Major Luiz Alves de Brito e de Mequelina Leonardo de Lemos. O Casal, João e Júlia teve, além de Virgílio, Aurélia, Amélia Isabel, Terêncio, todos “Alves de Brito Várzea”. João teve mais dois filhos com Chiquinha Andrade: Manoel e João Várzea, que são meios-irmãos de Virgílio.

Era primo de José Feliciano Alves de Brito que foi Deputado na Assembleia Legislativa catarinense, igualmente de Vitor Alves de Brito, filho de José.

Virgílio passou a infância a bordo de navios comandados por seu pai. Os estudos iniciais realizou em escola da Ilha de Desterro. Ainda jovem passou a morar no Rio de Janeiro/RJ, dedicando-se ao jornalismo e à produção de contos, poesias, romances, crônicas, ensaios e estudos históricos e geográficos.  

Conforme o jornal A Notícia, “foi ele uma das figuras brilhantes do grupo literário em que pontificavam Bilac, Gonzaga Duque, Coelho Neto, Guimarães Passos, Pardal Mallet e outros”. Considerado o criador do gênero marinhista na literatura latino-americana (A NOTÍCIA, 1942, p. 1).

Literato de reconhecida expressão, amigo e parceiro do poeta Cruz e Sousa no livro Tropos e Fantasias (1885), deixou obras valiosas, especialmente, para os catarinenses.

Nos anos de 1894 e 1895, participou do movimento literário “Ideia Nova”, “em linhas gerais foi um grupo de intelectuais reunido em torno de Gama Rosa, presidente da província de Santa Catarina a partir de 1883, considerados precursores do Realismo na literatura local. Este primeiro “ilhamento”canoniza o grupo de “novos” e obscurece o seu grupo “opositor”, capitaneado nas querelas da época pelo escritor Eduardo Nunes Pires” (MATOS, 2014, p. 30).

Colaborou com a Revista Santa Catharina, de 1895 e 1896, publicada no Rio de Janeiro, e com a Terra – Revista de Artes e Letras, iniciada em 1920, em Florianópolis.

Foi redator de inúmeros jornais em Santa Catarina (Jornal Comércio, o Aprendiz e Colombo) e no Rio de Janeiro integrou a Comissão para Traducção Brazileira das Sagradas Escrituras (Bíblia Sagrada).

Um dos fundadores e patrono da Academia Catarinense de Letras, ocupante da Cadeira número 40.

Foi Oficial de Gabinete (cargo atual Chefe de Gabinete), no governo do Presidente da Província de Santa Catarina, Francisco Luís da Gama Rosa, nos anos de 1883 e 1884, Promotor Público em São José/SC, Secretário da Capitania dos Portos e professor no Liceu de Artes e Ofícios de Santa Catarina, em 1886.

Elegeu-se Deputado Estadual ao Congresso Representativo de Santa Catarina (Assembleia Legislativa), foi Constituinte 1892 e, durante a Legislatura (1892-1893), desempenhou a função de 2º Secretário da Mesa Diretora.

Após o mandato parlamentar, retornou ao Rio de Janeiro, em 1896, onde escreveu para o Correio da Manhã, a Gazeta de Notícias, O Paíz, A Imprensa, a Revista da Marinha Mercante e o Diário Mercantil, lecionou Língua Portuguesa e Literatura e foi Inspetor Escolar do Distrito Federal.

De volta ao Estado catarinense, elegeu-se Deputado Estadual ao Congresso Representativo (Assembleia Legislativa) e tomou posse à 10ª Legislatura (1916-1918).

Foi indicado para integrar a Academia Brasileira de Letras, sendo escolhido para a vaga Afonso d’Escragnolle Taunay, natural de Desterro, filho de Alfredo Maria Adriano d’Escragnolle Taunay, o Visconde de Taunay, que foi Presidente das Províncias de Santa Catarina e do Paraná, entre outras importantes funções políticas exercidas.

Faleceu em 29 de dezembro de 1941, no Rio de Janeiro/RJ.

Principais obras:

- Traços Azuis (1884)
- Tropos e Fantasias (1885) - em parceria com Cruz e Sousa
- Mares e Campos (1895)
- Rose Castle (1895)
- Santa Catarina: A Ilha (1900)
- George Marcial (1901)
- O Brigue Flibusteiro (1904)
- Histórias Rústicas (1904)
- Nas Ondas (1910)
- Os Argonautas (1908)

 

Fragmento de Santa Catarina: A Ilha

 ‘(...) A praia dos Ingleses, a das Aranhas, Lagoa, Campeche, Armação da Lagoinha, Pântano do Sul e a dos Frades, constituem outros tantos seios recurvos e brancos que, posto desabrigados, são também fundeadouros, a oferecerem repouso e refresco aos transeuntes errantes do Atlântico, esses barcos de vela saudosos que aí costumam aportar, uma ou outra vez, e cujas companhas cansadas das fadigas do mar encontram por breves instantes, um consolo e um conforto aos sacrifícios de sua vida aventurosa e amara, nesses risonhos povoados suspensos de colinas e outeiros, onde em cada lar obscuro se abrem sorrisos de afeto, carinhos hospitalares (...)’.  (VÁRZEA, Virgílio, 1900)

 Homenagens:

- Escola Básica Municipal Virgílio dos Reis Várzea, Canasvieiras, Florianópolis/SC.
- Prêmio Virgílio Várzea de Literatura, da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, (Resolução n. 12/2006).
- Prêmio Virgílio Várzea, da Fundação Catarinense de Cultura.
- Rodovia Virgílio Várzea, Canasvieiras, Florianópolis.
- Rodovia Virgílio Várzea, Monte Verde, Florianópolis.
- Rodovia Virgílio Várzea, Saco Grande, Florianópolis.
- Rua Virgílio Várzea, Ribeirópolis, Praia Grande/SP.
- Rua Virgílio Várzea, Itaim Bibi, São Paulo/SP.
- Travessa Virgílio Várzea, Santo Antônio, Manaus/AM.
- Rua Virgílio Várzea, Chacrinha, Duque de Caxias/RJ.
- Rua Virgílio Várzea - Olaria, Rio de Janeiro.

Mandatos

Referências

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE SANTA CATARINA. Centro de Memória. Arquivos das Legislaturas: de 1835 a 2018.

MATOS, Felipe. Armazém da Província: Vida Literária e Sociabilidades Intelectuais em Florianópolis na Primeira República. 2014. 241 f. Tese (Doutorado) - Curso de História, , Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2014. Disponível em: <https://goo.gl/tepJUM>. Acesso em: 7 ago. 2017.

PIAZZA, Walter F. Dicionário Político Catarinense. Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1994. 714 p.

PIAZZA, Walter F. O Poder Legislativo Catarinense: das suas raízes aos nossos dias 1834-1984. Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1984. 800 p.

STOETERAU, Lígia De Oliveira. A Trajetória do Poder Legislativo Catarinense.. Florianópolis: IOESC, 2000. 446 p.

Como citar este documento
Referência

MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA. Biografia Virgílio Várzea. 2018. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/900-Virgilio_Varzea>. Acesso em: 12 de dezembro de 2018.

Citação com autor incluído no texto

Memória Política de Santa Catarina (2018)

Citação com autor não incluído no texto

(MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA, 2018)

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