Francisco Dall'Igna
Francisco Dall'Igna

Médico, natural do Rio Grande Sul/RS. Deputado na Assembleia Legislativa (1963-1967) e Vice-Governador do Estado de Santa Catarina, cassado politicamente em 1966, pelo regime militar.

Informações Gerais

Nome completo
Francisco Roberto Dall'Igna
Local de nascimento
Rio Grande do Sul/RS
Falecimento
29/01/1983
Formação
Medicina
Profissão
Médico
Partido
Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)

Francisco Dall'Igna

Nasceu no Rio Grande do Sul/RS. Realizou os estudos de Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (URGS), onde se formou em 1954.

Participou da Comissão Técnica do Esporte Clube Cruzeiro, de Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul (1953) e atuou nos Serviços à Assistência Médica Domiciliar de Urgência (SAMDU) em Brusque/SC (1957).

Na eleição de 7 de outubro de 1962, concorreu pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), recebeu  4.463 votos e se elegeu Deputado à Assembleia Legislativa de Santa Catarina, integrando a Legislatura (1963-1967). Votaram no pleito 555.305 eleitores e o PTB alcançou o terceiro lugar, com 64.055 votos, manteve a representação de 6 deputados pela sigla.

Ainda Deputado, Francisco concorreu ao cargo de Vice e Ivo Silveira, a Governador do Estado de Santa Catarina, pela coligação do Partido Social Democrático (PSD) com o PTB. Na eleição ocorrida em 3 de outubro de 1965, obtiveram 328.480 votos e foram eleitos, contra os 305.090 dados a chapa de Antônio Carlos Konder Reis e Laerte Vieira, da União Democrática Nacional (UDN).

Poucos meses de governo, em 19 de julho de 1966, Francisco Dall’Igna teve seu mandato cassado e a perda dos direitos políticos1 por dez anos, com base no Ato Institucional no 2 (AI 2)2, de 27 de outubro de 1965. O cargo ficou vago por quase um ano, até Jorge Bornhausen, com idade de 29 anos, ser escolhido o Vice-Governador, em 9 de março de 1967, em eleição indireta (pela Assembleia Legislativa). Leia abaixo trecho de historiador sobre o assunto.

O AI 2 de  1965, polarizou a política partidária ao extinguir todos os partidos criados em 1945 e implantou o bipartidarismo, estabelecendo a criação de dois  partidos: Aliança Renovadora Nacional (ARENA), da  situação, e Movimento Democrático Brasileiro (MDB), da oposição. 

Francisco faleceu em 29 de janeiro de 1983.

Em sessão especial ocorrida em 13 de agosto de 2019, a Assembleia Legislativa catarinense restituiu, de modo simbólico, o mandato do Deputado Francisco Dall’igna e de outros que tiveram seus mandatos cassados pelo regime militar na década de 1960.


1 A perda carretava simultaneamente: "I - a cessação de privilégio de foro por prerrogativa de função; II - a suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais; III - a proibição de atividade ou manifestação sobre assunto de natureza política; IV - a aplicação, quando necessária à preservação da ordem política e social, das seguintes medidas de segurança: a) liberdade vigiada; b) proibição de frequentar determinados lugares; c) domicílio determinado”. (BRASIL. Ato Institucional Nº 2, de 27 de outubro de 1965).

2  “Foi decretado em função do resultado do pleito eleitoral de 1965, principalmente nos estados de Minas Gerais e Guanabara: com a vitória expressiva da aliança PSD-PTB não agradou o governo militar, que interpretou o resultado eleitoral como “contestação anti-revolucionária”. (AGUIAR. 2006, p. 39).

Campanha, Cassação de Francisco Dall'Igna e o desfecho político – por Ricardo Duwe

“Durante a campanha, espalhou-se o boato de que o candidato a vice-governador de Ivo Silveira, o deputado estadual Francisco Dall'Igna (PTB) seria comunista, e que Silveira poderia trilhar o mesmo caminho. Os candidatos iniciaram uma campanha de desmistificação desta imagem perante a população indo buscar apoio nos setores eclesiásticos do Estado, sendo que estes foram ao seu encontro e declararam que ambos eram cristãos temerários a Deus.

Ivo Silveira vence a eleição, mas nos primeiros meses de seu governo, em 1966, Francisco Dall'Igna tem o seu mandato de vice-governador cassado pelo regime. Silveira é pressionado por ambos os lados, pois o partido arenista está dividido entre antigos membros do PSD e da UDN e que disputam espaço dentro do seu governo, ambos querendo que o seu candidato fosse o candidato do partido para o Senado nas eleições de 1966.

Celso Ramos (ex-PSD) é o candidato da oligarquia Ramos que ajudou Silveira a se eleger governador e Irineu Bornhausen (ex-UDN) é o candidato da oligarquia Konder Reis-Bornhausen, que recebe grande apoio das forças armadas por serem 'revolucionários de primeira hora' – inclusive o Presidente Castelo Branco manda um enviado especial para conversar com Silveira e pressioná-lo a favor da candidatura de Bornhausen.

Silveira resolve a questão de um modo diplomático: Celso Ramos é escolhido o candidato para o Senado e Irineu Bornhausen retira a sua candidatura, mas um membro da antiga UDN ficaria com o cargo de vice-governador, sendo indicado por Irineu o seu filho, Jorge Bornhausen. O grande empecilho é que Jorge Bornhausen não possuía a idade necessária para assumir o cargo, segundo a Constituição Estadual, a qual seria de, no mínimo, 35 anos.

Uma grande negociação política se inicia, a qual envolveu diretamente o Presidente Humberto Castelo Branco e o presidente nacional da Arena, Daniel Krieger, e uma emenda constitucional é aprovada na Assembleia Legislativa reduzindo a maioridade necessária ao cargo de 35 anos para 25.

Embora a questão tenha sido resolvida entre as oligarquias e o regime, o governador paga o preço, pois a população não recebe nada bem o seu estrategismo político, afinal de contas, Silveira sempre foi duro crítico e rival político dos Konder Reis-Bornhausen durante os tempos de UDN e PSD”. Cf: PEREIRA, 1998, p. 39-75. PEREIRA, Moacir (org). Ivo Silveira: um depoimento. Florianópolis: Insular, 1998.

Autor: DUWE, 2013, p.54.

Mandatos

Referências

AGUIAR, Letícia Carneiro. O Curso de Pedagogia em Santa Catarina: A história da sua criação no contexto do projeto desenvolvimentista da década de 1960. 2006. 262 f. Tese (Doutorado) - Curso de Pedagogia, Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rNjMxMQ==>. Acesso em: 30 nov. 2017.

ALESC. As Cassações dos Amigos. 2018. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rNjE5MA==>. Acesso em: 30 nov. 2017.

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE SANTA CATARINA. Coordenadoria de Informações. Fichas Datilografadas/Digitalizadas das Legislaturas: de 1945 a 2018.

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE SANTA CATARINA. Diretoria de Tecnologia e Informações. Lista das Legislaturas: de 1947 a 2015.

BRASIL. Ato Institucional Nº 2, de 27 de Outubro de 1965. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rNjI5NQ==>. Acesso em: 30 nov. 2017.

DUWE, Ricardo. O Partido da Arena na Imprensa Catarinense: Cultura Política e Poder no Jornal de Santa Catarina (1974-1979). 2013. 101 f. TCC (Graduação) - Curso de História, Departamento de História, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2013. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rNjI0MA==>. Acesso em: 30 nov. 2017.

LENZI, Carlos Alberto Silveira. Partidos e Políticos de Santa Catarina. Florianópolis: Editora da UFSC, 1983. 382 p.

LIDERANÇAS. Jorge Bornhausen. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rNjM2OQ==>. Acesso em: 30 nov. 2017.

NOTÍCIAS DO DIA. Forças políticas revisaram em decisões eleitorais. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rNjM4Mg==>. Acesso em: 30 nov. 2017.

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Como citar este documento
Referência

MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA. Biografia Francisco Dall'Igna. 2019. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/285-Francisco_Dall_Igna>. Acesso em: 17 de setembro de 2019.

Citação com autor incluído no texto

Memória Política de Santa Catarina (2019)

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(MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA, 2019)

Memória Política de Santa Catarina