Ismael dos Santos
Ismael dos Santos

Doutor em Literatura, escritor e administrador, natural de Blumenau/SC. Vereador na terra natal e Deputado Estadual no Parlamento Catarinense, final do século XX e início do XXI.

Informações Gerais

Filiação
Nirton dos Santos e Isaael Maria
Nascimento
16/07/1965
Local de nascimento
Blumenau/SC
Formação
Doutorado em Literatura
Profissão
Administrador de Empresas
Partido
Partido da Frente Liberal (PFL), Democratas (DEM) e Partido Social Democrático (PSD)
Base Eleitoral
Vale do Itajaí

Ismael dos Santos

Aviso aos navegantes

O propósito deste texto não é o de tecer reflexões, defender conceitos ou compartilhar experiências de vida. A meta é bem singela: apenas registrar cronologicamente os principais fatos que sinalizaram minha modesta biografia.

O legado de papai

Aprendi cedo que na caminhada da vida é preciso saber chorar e sorrir, mas jamais desistir. A primeira lição chegou com a própria história de meu pai, Pastor Nirton dos Santos.

Meu avô paterno, Tibúrcio, faleceu quando papai tinha apenas dois anos, cinco anos depois minha avó, Maria, foi encontrada enforcada em cima da pequena cama de papai. Órfão aos oito anos, ele se tornou um menino de rua, lutando incansavelmente para sobreviver nas praças e becos de Joinville.

Mas aos 18 anos ele teve uma experiência com Deus: “Numa noite de Sexta-Feira Santa fui visitar um pequeno templo da Assembléia de Deus. Entendi que precisava receber Cristo como meu Senhor e Salvador. Eu pouco sabia do que significava uma caminhada de compromisso com Jesus, mas estava certo de que minha vida nunca mais seria a mesma depois daquela noite”, lembra papai.

Após servir ao Exército, ele se casou com uma joinvillense. Mamãe, Isabel Maria, proporcionou a papai a felicidade de desfrutar pela primeira vez do prazer de viver em família. Mesmo tendo apenas o primeiro ano do ensino fundamental, ele se destacou na construção do porto de São Francisco do Sul; depois, aceitou o convite para trabalhar em um comércio de material de construção em São Bento do Sul; em seguida, foi atuar na indústria têxtil: “Por muitos anos eu trabalhei a noite na facção São Bento. Saía da fábrica às cinco horas da manhã, dormia duas horas e tomava o caminho da roça, onde plantava milho, feijão e batata. Nos dias de culto eu dormia um pouco mais à tarde para poder participar das reuniões: primeiro como músico e, na sequência, como um cooperador voluntário da igreja”.

Finalmente, em 1959, papai ingressou em tempo integral no corpo eclesiástico da Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Meio século de sacerdócio, dos quais 27 anos como Presidente da Convenção das Assembleias de Deus em Santa Catarina e Sudoeste do Paraná, chegando ao posto de Vice-Presidente das Assembleias de Deus no Brasil. Eu, embora nascido em Blumenau, cresci acompanhando a família em pelo menos sete cidades catarinenses, mesclando culturas e sempre conhecendo novas fisionomias.

De papai recebi o legado do temor a Deus, da rigorosa disciplina com a agenda, da paixão pela Bíblia e, parece-me, do jeito de pregar. Sem o seu exemplo de fé e perseverança não chegaria aonde cheguei. A ele meu eterno reconhecimento.

Sonhos de criança

–  O senhor deve estar brincando comigo? Quer matricular um filho que já morreu?

Papai levou um susto. Olhou para o documento que a diretora de uma escola em Lages lhe devolvia e conferiu o nome: Ismael dos Santos. Ocorre que se tratava da certidão de óbito de meu mano.

Sou de uma família de dez irmãos; porém, fiquei entre dois falecidos. Antes, outro Ismael; depois, a Miriam. De fato, o mano Ismael morreu em Timbó, logo após o seu nascimento; porém, um ano depois eu nasceria numa casa no Bairro Vila Nova, em Blumenau. Mamãe gostava tanto da história bíblica de Ismael, filho de Hagar, que não titubeou em colocar o mesmo nome: “Deus sempre escuta”, justificava mamãe, referindo-se ao significado hebraico do meu nome.

Não tive as melhores notas no ensino fundamental. O que me ajudou na carreira acadêmica foi muito mais a organização e a disciplina autoimposta que a inteligência.

Aos 12 anos me apaixonei pela música. Ganhei um trompete de papai e por mais de uma década toquei em diferentes bandas e orquestras. Mais tarde, sonhei ser cantor. Lembro do primeiro troféu que conquistei no Festival Interno da Canção (FEINC), e em seguida, um outro troféu no Festival da Juventude (FEJUC), ambos em Lages. Mas sem uma orientação vocal e por abraçar outros desafios, o sonho atingiu no máximo a gravação de um CD na companhia de alguns amigos. Canções Inesquecíveis se tornou um álbum para ajudar ações sociais em diferentes regiões de Santa Catarina. De qualquer forma, preciso confessar: entrar num estúdio profissional e ouvir a própria voz sendo gravada foi uma das sensações mais gostosas que experimentei na vida.

Ainda na adolescência sonhei ser aviador. Colecionei milhares de fotos e reportagens sobre o mundo da aeronáutica. Arrisquei fazer um teste para a Academia da Força Aérea. Não fui aprovado; então, fui voar em outros céus.

Tornei-me um devorador de livros. A Biblioteca Pública de Lages passou a ser o meu lugar predileto de visitação. Comecei lendo toda a obra de Júlio Verne e Monteiro Lobato. Mais tarde, fui atraído para as ficções e biografias evangélicas. Paralelamente, decidi escrever todos os dias uma página relatando minhas atividades, aventuras e reflexões. Durante uma década persisti neste hábito. Devo muito da minha vontade de produção textual às centenas de anotações registradas nos diários manuscritos na juventude.

Aos 14 anos conheci o meu primeiro emprego fora de casa. Comecei trabalhando em um escritório de contabilidade. Notas fiscais, carimbos e livros contábeis ocupavam o meu dia; à noite, o Colégio Diocesano me equipava com novas ferramentas intelectuais e, é claro, novos sonhos.

Aos 17 ingressei no primeiro curso superior: administração (FURB); depois busquei também formação no curso de Letras (FURB); fiz uma pós-graduação em Comunicação (FURB), e Mestrado e Doutorado em Literatura, ambos pela Universidade Federal de Santa Catarina. O dia mais emocionante da minha jornada acadêmica foi quando, após defender a tese de doutorado, ouvi a banca publicar a nota máxima: “A” com louvor. Para o menino que claudicava com notas baixas no ensino fundamental, foi um belo troféu de superação.

Construindo a própria família

Com apenas 15 anos, conheci Denise. Foram seis anos de namoro. Tempo bom. Tempo de mergulhar no mundo das emoções. Tempo de refletir sobre o que ser no futuro. Tempo de aprender a amar e a ser amado. Casamos em 1986.

A vida a dois é uma escola sem diploma. Todo dia é dia de aprender com os acertos e os equívocos. Quatro anos depois nasceria nosso primeiro filho, Israel. Quando chegamos ao décimo ano de casamento, nasceu a Deise.

Não raro a vida permite que nossos sonhos se realizem na vida de nossos filhos. Em 1990 desejei ir estudar e trabalhar nos Estados Unidos. Fiquei quatro meses fora do Brasil, mas “como os pássaros de lá não gorjeiam como os daqui”, voltei; entretanto, aos 15 anos meu filho Israel partiu para a América do Norte, onde permaneceu por três longos anos. Dominou o idioma e se especializou em música. É um exímio guitarrista. De lá rumou para uma temporada de seis meses na França. Dominou com facilidade o idioma de Bonaparte e fez também sua conquista: o coração de uma bela francesa, com quem casou três anos depois e hoje já me deu dois netos (Eduardo e Heloize).

Sintetizo meu apreço pelo casal que gerei na dedicatória que fiz em um de meus livros: "Israel e Deise, filhos amados, em vossos olhos florescem sonhos".

A paixão pelo púlpito

Por alguns anos mantive em rádio e TV o programa Voz e Ação; mas no campo da oratória minha paixão maior sempre foi pelo púlpito.

28 de novembro de 1982. Não dá pra esquecer esta data. Pela primeira vez preguei em um congresso de jovens. A mensagem? Vidas em Chamas. Meia hora de pura adrenalina. Hoje, trinta anos depois, contabilizo mais de cem títulos ministrados em milhares de templos no Brasil, na Europa, nos Estados Unidos; porém, especialmente, em mais de duzentos municípios de Santa Catarina.

Costumo anotar lugar, tema e tempo de cada pregação; por isso, acumulo nestas últimas três décadas pelo menos três mil horas de púlpito. Os resultados? Definitivamente acho deselegante numerar quantas vidas receberam Cristo, reconciliaram-se com Deus ou de alguma forma foram edificadas pelas pregações que tenho ministrado. Mesmo porque, tenho falado para grupos pequenos, em templos do interior com menos de uma dezena de ouvintes; mas, também, já falei para multidões de dez mil pessoas. Para mim, tais números não importam. O que me deixa satisfeito é saber que na mensagem fui sincero com as minhas convicções, busquei honrar a Deus e conduzir o auditório à reflexão.

Por falar em reflexão, dediquei pelo menos metade dos meus anos ao ensino de disciplinas cristãs. Mesmo tendo freqüentado apenas um curso médio em Teologia (FAETAD), aprendi com papai a ser um autodidata no campo das ciências bíblicas. Assim, ajudei a fundar o Seminário Pentecostal de Massachusetts; depois colaborei na implantação da ETEBLU (Escola Teológica de Blumenau) e participei como co-fundador da ETEBRAS (Escola Teológica Brasileira). Por vários anos ministrei aulas de hermenêutica na EETAD, no Centro de Treinamento Missionário Vida e em centenas de escolas teológicas por todo o país.

Como surgiu o CTV

Quando casei, aos 21 anos, eu e Denise tomamos a decisão de que investiríamos tempo, energia e recursos no auxílio a pessoas carentes na periferia de Blumenau. Começamos ajudando no Lar Betânia, uma creche fundada pelo meu guru na área social, o saudoso Pastor Woldemar Kinas. É dele a frase lapidar: “Quem não investe na criança, hipoteca o futuro”.

Depois surgiu o sonho de construir uma comunidade terapêutica para abrigar jovens dependentes químicos. Reuni amigos e voluntários, visitei instituições similares em todo o país e, finalmente, em 1992 surgia o Centro Terapêutico Vida (CTV). Nestes últimos 20 anos já passaram mais de mil jovens por nossa instituição. O programa é de nove meses, com capacidade para 30 internos. Nós conseguimos reunir uma excelente equipe técnica: médicos, assistentes sociais, psicólogos e monitores. Os internos que permanecem na totalidade do programa oferecido têm atingido um índice de 75% de reabilitação da dependência química.

Agora, na presidência da Frente Parlamentar de Combate e Prevenção às Drogas, tenho buscado contribuir para a formulação de novas políticas públicas neste complexo desafio das drogas. Em 2011, visitei 70 comunidades terapêuticas em Santa Catarina e comandei audiências públicas em todas as regiões do Estado, buscando fazer uma radiografia das drogas em nossos principais municípios. Os relatórios devidamente anotados e o paralelo com as informações obtidas junto à Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), revelaram números assustadores: 700 mil dependentes de álcool; 125 mil dependentes de substâncias entorpecentes ilícitas; 180 mil estudantes do ensino fundamental e médio fazem usam esporádico de drogas ilícitas; 50 mil usuários de crack em terras catarinenses.

O Governador Raimundo Colombo visitou comigo algumas instituições de tratamento a usuários e imediatamente acionou os Secretários da Saúde, da Assistência Social, da Justiça e Cidadania e os membros do Conselho Estadual de Entorpecentes para juntos com a Rede de Saúde Pública aprimorar as políticas de atendimento aos dependentes químicos.

Acredito que a minha maior contribuição neste campo foi o projeto de financiamento do Governo estadual de mil vagas em uma centena de comunidades terapêuticas em Santa Catarina. Uma bandeira que hasteamos no Parlamento e que julgo uma fantástica contribuição à segurança pública e a milhares de famílias que vivenciam a trágica experiência de ter um de seus membros mergulhado no submundo das drogas.

Os caminhos da política

Do envolvimento com as demandas sociais à experiência política o caminho se revelou extremamente curto.

Porém, aqui, mais do que em qualquer outra área de minha modesta biografia, há uma palavra que precisa ser soletrada com todas as letras:    p – e – r – s – e – v – e – r – a – n – ç – a.

Basta lembrar que disputei nove eleições: perdi quatro, ganhei quatro e, costumo dizer, empatei uma.

Tudo começou com as eleições para vereador em 1988. Três meses antes das eleições recebi o convite de um candidato a Prefeito. Filiei-me ao seu partido e caí na estrada. Sem experiência, sem estrutura e com menos de 90 dias de campanha o resultado se mostrou pífio: não cheguei a 500 votos. Quatro anos depois a história foi outra: mergulhei na leitura de biografias de políticos vencedores, aprendi estratégias e retornei à estrada: tornei-me o segundo vereador mais votado naquele pleito, com quase dois mil.

O primeiro discurso na tribuna da Câmara de Vereadores de Blumenau eu nunca esquecerei: foram breves cinco minutos defendendo um orçamento maior para as políticas públicas de financiamento a programas voltados à criança e ao adolescente.

Dois anos depois um novo erro de estratégia político eleitoral: uma candidatura precoce à Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC); o resultado, desanimador: pouco mais de dez mil votos; entretanto, no pleito seguinte à Câmara de Vereadores, fiquei novamente entre os três mais votados.

O envolvimento com as demandas sociais do município levaram o Prefeito Décio Lima a me convidar para assumir a Secretaria Municipal da Criança e do Adolescente. Mesmo contrariando a decisão do partido em que estava filiado na época, aceitei o desafio. Como a legislação eleitoral permitia, durante os dois anos que comandei a SECRIAD fiquei sem vínculos partidários. Valeu a pena apostar no social. Conseguimos implantar mais de 20 programas, atendendo diretamente cinco mil crianças em Blumenau. Faria tudo de novo. E a população aprovou me reconduzindo pela terceira vez ao legislativo municipal, desta vez como o campeão de votos daquela eleição, com 3.324 eleitores.

Em 2002, uma nova aventura eleitoral. Apesar do fracasso na primeira tentativa para uma vaga na Casa Legislativa, tomei coragem e encarei uma nova eleição. O resultado saiu até no Jornal Nacional da Rede Globo: o candidato mais votado em Santa Catarina, com 59.563 votos, mas não eleito. Faltou legenda. Estava num partido pequeno e com uma nova interpretação do Superior Tribunal Eleitoral não poderia estar coligado com outro partido. Ganhei mas não levei.

Após 12 anos na Câmara de Vereadores, sentia-me cansado; afinal, além de legislar, fiscalizar, discursar e coordenar mutirões de pavimentação de ruas, eu chegava a atender 20 pessoas por dia no Gabinete. Sabia que era hora de parar. Dar oportunidade a uma nova geração de vereadores; entretanto, como não queria abandonar a política, restou-me uma única alternativa, ser candidato a Prefeito, mesmo sabendo da distante possibilidade de vitória. Foi nesta época que adotei o meu slogan preferido: quem não tem estrela, tem que ter estrada.

Eu e o Leo Bittencourt, candidato a Vice-Prefeito, visitamos mais de mil residências e percorremos a pé pelo menos uns 20 corredores de serviço, levando a nossa proposta de governo à cidade. Partido minúsculo, dinheiro zero (não conseguimos recurso para pagar sequer um único cabo eleitoral). Para produzir os cinco minutos de horário eleitoral na televisão, vendi o meu único patrimônio, um automóvel. O gostoso eram os debates. Modéstia à parte, eu e o ex-Deputado Federal Wilson Souza (também candidato a Prefeito), “dávamos um banho”. Mas política é mais que emoção. É matemática. Entre os seis prefeituráveis, fiquei em terceiro lugar, com 20 mil eleitores. Cinco minutos após o resultado oficial eu já estava de cabeça erguida dando uma entrevista na TV Galega, compartilhando dos meus próximos projetos políticos.

Porém, no dia seguinte a “ficha caiu”. Em menos de 90 dias eu estaria desempregado. Pensei em abandonar a arena política. Poderia optar pelo magistério ou por uma carreira eclesiástica. Mas a voz interior não cessava de sussurrar: a perseverança é a rainha das virtudes.

Recebi um convite do então Senador Raimundo Colombo para assessorá-lo no Vale do Itajaí. Topei a idéia e durante dois anos atuei como assessor parlamentar ligado ao Senado Federal.

Na eleição seguinte para Deputado Estadual, lá estava eu. Como havia sido o campeão de votos da eleição anterior, fui vencido facilmente pela estratégia dos adversários que insistiam com os eleitores: “O Ismael já está garantido. Foi o mais votado e não será diferente agora”. A velha história do “já ganhou” anunciada aos quatro cantos fez mais uma vítima: conquistei apenas 25.938 votos, tornando-me o sétimo suplente da coligação. Desta vez não resisti às lágrimas. Foi a derrota eleitoral que mais doeu. Mesmo assim, dois anos depois assumiria pela primeira vez o cargo de Deputado Estadual no Parlamento Catarinense na condução de suplente e lá permaneci por 18 meses. A experiência foi elementar para mudar positivamente minha concepção de fazer política, adotando ferramentas científicas e estratégias profissionais. Pronto. Era tudo o que eu precisava para as próximas eleições: uma vitrine que me proporcionasse visibilidade e me devolvesse a minha autoestima.

Quem não tem estrela, tem que ter estrada. Comecei a rodar uma média de dez mil quilômetros todos os meses. Visitei Câmaras de Vereadores, Prefeituras, ONGs, igrejas, comunidades terapêuticas, associações de moradores. Sempre ouvindo lideranças políticas, entendendo as demandas das diferentes regiões catarinenses, escrevendo e distribuindo livros e fazendo três, quatro, cinco palestras por semana.

E, então, nas eleições de 2010, o resultado foi muito acima da expectativa: 55.644 eleitores catarinenses me fizeram o sétimo candidato mais votado para a ALESC, com votos em 286 dos 293 municípios de Santa Catarina. Sim, após quatro tentativas para conquistar uma vaga no Parlamento eu podia olhar para trás e exclamar: valeu a perseverança, mas valeu muito mais a promessa de Deus.

Em 2014, um novo sucesso eleitoral: 66.818 votos na reeleição para Deputado Estadual, conquistando o terceiro lugar entre os 40 eleitos.

Na verdade, eu tinha 15 anos quando fui participar de uma palestra para jovens num templo da Assembleia de Deus do bairro Guarujá, em Lages. Na ocasião, o convidado era o Pastor João Amaral, de Ponte Serrada. Ao final da sua prédica, ele veio até onde eu estava e sussurrou uma mensagem profética nos meus ouvidos. Entre as muitas coisas que me disse, registro duas frases: “O teu chamado será diferente do chamado de teus irmãos. Eu te colocarei em lugar de destaque neste Estado, assim diz o Senhor Deus”. Palavra proferida. Palavra guardada a sete chaves. Palavra cumprida 30 anos depois. Deus é fiel!

E como agradecer faz bem ao coração, anoto aqui que o sucesso nos caminhos da política eu devo a Deus, à minha família, àqueles que fizeram parte das minhas equipes de trabalho – sempre enxutas; porém, eficientes –, e aos meus amigos eleitores, de todas as idades, crenças, raças e de cada cantinho da minha amada Santa Catarina.

O universo fascinante da literatura

Alguém disse que escrever um livro consiste na experiência mais próxima de se gerar um filho. Talvez seja; de qualquer forma, um livro sempre será, metaforicamente, um filho. Desde que publiquei minha primeira obra, Adoração em Chamas, em 1986, pela CPAD do Rio de Janeiro, decidi escrever pelo menos um livro a cada novo ano. E tenho conseguido.

Primeiro foram livros devocionais: Para que todos Sejam Um (Vida, SP) e A Caminho da Maturidade (CPAD, RJ); depois mergulhei na literatura ilustrada para crianças: Parábolas de Jesus (Sabida, Blumenau), Milagres de Jesus (Sabida, Blumenau), Série Grandeza: virtudes gregas (Letra Viva, Blumenau).

Retomei à literatura evangélica com uma obra que fez sucesso em Santa Catarina: Raízes da nossa fé, narrando a história das Assembléias de Deus no Estado (Letra Viva, Blumenau); e produzi biografia: Um apóstolo de crianças, contando a trajetória do Reverendo Woldemar Kinas (GA, Joinville).

Na área política surgiu Ética e Estética na Voz Parlamentar (Câmara de Vereadores de Blumenau) e, no campo acadêmico, Homens, raposas e uvas (FURB, Blumenau). Criei também uma série denominada Breves Notas, todas as obras publicadas pela Nova Letra de Blumenau: O discurso apologético na pós-modernidade; Atos 29; Em cada conto um novo conto; Jeitinho brasileiro; A terra da história bíblica; À procura de Deus; O nascimento de uma nação; e, Percursos do processo educativo.

Mais recentemente participei de duas coletâneas: Ultrapassando Barreiras, com o texto O teste da unidade (Vida Nova, SP) e Momentos com Deus, com 90 devocionais de minha autoria (SBN, Blumenau).

Apaixonado por ficção, decidi escrever focando o público jovem: Na esquina do pacificador (Letra Viva, Blumenau); A igreja da Rua 37 (Letra Viva, Blumenau); Mediterrâneo, a imaginação não descarta a possibilidade (Letra Moderna, Blumenau); Bilhete no Muro (Nova Letra, Blumenau); e, Pedra Lapidada (Nova Letra, Blumenau).

Para não esquecer o público infantil, escrevi um livro com a participação de uma das melhores ilustradoras do Brasil, a artista Mônika Papescu,  com o título O barquinho azul (Nova Letra, Blumenau); finalmente,  retomando a linha acadêmica, publiquei minha tese de doutorado A transposição da fábula clássica (Edições ZF, Blumenau).

Quantos leitores eu conquistei? Seria arriscada qualquer projeção; porém, esta meia centena de obras atingiu mais de 500 mil livros publicados, particularmente em Santa Catarina. Não amealhei nenhum prêmio ou mesmo o reconhecimento dos intelectuais; porém, não raro fui surpreendido com elogios inusitados dos meus leitores. Certo dia, recebi uma carta de alguém que encontrou minha obra Adoração em Chamas em uma livraria que vendia produtos em língua portuguesa na ilha chinesa de Macau. Gratificante!

Além dos livros, publiquei centenas de artigos em jornais e revistas. Registro também meu compromisso em distribuir periodicamente, desde 1992, o boletim informativo Voz & Ação, buscando informar meus eleitores de minhas atividades parlamentares.

Uma tentativa de epílogo

Perdoe-me o leitor por tantas datas e informações periféricas. Como anotei na introdução, meu desejo nestas linhas não foi o de expor ideias sobre a existência (o que fiz, sobretudo, em minhas obras devocionais e de ficção). Meu compromisso, aqui, residiu simplesmente em registrar cronologicamente fatos que marcaram distintas áreas da minha caminhada.

Ao concluir, faço minhas as palavras do poeta predileto dos cristãos, o salmista Davi:

"Ó Senhor Deus, eu já não sou orgulhoso;
deixei de olhar os outros com arrogância.
Não vou atrás das coisas grandes e extraordinárias,
que estão fora do meu alcance.
Assim, como a criança desmamada
fica quieta nos braços da mãe,
assim eu estou satisfeito e tranqüilo,
e o meu coração está calmo dentro de mim.
Ponha a sua esperança em Deus, o Senhor,
agora e sempre!"   Salmo 131.

* Texto produzido pelo Dr. Ismael dos Santos, dia 16/08/2016.

Conheça as proposições apresentadas pelo Deputado na Assembleia Legislativa, no endereço a seguir: https://bit.ly/3CYLxe5

Atualizações

Nas eleições de 2018, foi reeleito Deputado Estadual à Assembleia Legislativa catarinense, pelo PSD, com 54.165 votos - quarto colocado na ordem de votação -, tomando posse à 19a Legislatura (2019-2023). Exerceu as seguintes atividades parlamentares nessa Legislatura:

  • presidente da Comissão de Prevenção e Combate às Drogas;
  • membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente;
  • membro da Comissão de Educação, Cultura e Desporto;
  • membro da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar; e
  • membro da Comissão de Saúde.

Foi membro da Comissão Especial da Assembleia Legislativa (constituída pelo Ato da Presidência Nº 018-DL, de 25/8/2020) responsável pela análise e emissão de parecer sobre a denúncia por crime de responsabilidade contra o Governador do Estado, Carlos Moisés, e a Vice-Governadora do Estado, Daniela Reinehr, sobre a concessão de reajuste salarial aos procuradores do Estado em 2019, resultando em paridade remuneratória entre esses e os procuradores da Alesc - REP Nº 0001.5/2020 – Processo Nº 00754 – primeiro impeachment: tramitou de 11/5/2020 a 27/11/2020.

 

Imagens

Foto: Eduardo G. de Oliveira/Agência AL

 

Foto: Rodolfo Espínola/Agência AL

Mandatos

Referências

SANTA CATARINA. Agência AL. Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Comissão do impeachment terá Amin na Presidência e Vampiro na Relatoria. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rOTg1MzY=>. Acesso em: 27 ago. 2020.

SANTA CATARINA. Agência AL. Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Lei obriga Executivo a disponibilizar informações sobre notas fiscais. 2022. Disponível em: <https://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rMTAyOTUz>. Acesso em: 31 mai. 2022.

SANTA CATARINA. Agência AL. Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Na estrada com o Deputado Ismael dos Santos. 2021. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rMTAxOTE5>. Acesso em: 15 fev. 2022.

SANTA CATARINA. Agência AL. Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Novas leis tratam de noções de primeiros socorros e multa a pedófilos. 2022. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rMTAyNjI4>. Acesso em: 6 mai. 2022.

TODA POLÍTICA. Eleições 2018: Candidatos a Deputado Estadual eleitos de Santa Catarina. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/rNzQ4MDg=>. Acesso em: 9 mar. 2019.

Como citar este documento
Referência

MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA. Biografia Ismael dos Santos. 2022. Disponível em: <https://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/970-Ismael_dos_Santos>. Acesso em: 01 de dezembro de 2022.

Citação com autor incluído no texto

Memória Política de Santa Catarina (2022)

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(MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA, 2022)

Memória Política de Santa Catarina