Adolfo Konder
Adolfo Konder

Advogado e jornalista, natural de Itajaí/SC. Deputado Estadual na Assembleia Legislativa e Governador de Santa Catarina, Deputado Federal e Senador representando os catarinenses, no século XX. Secretário de Estado da Fazenda, Viação, Obras Públicas e Agricultura.

Informações Gerais

Nome completo
Adolpho Konder
Filiação
Marcos Konder e Adelaide Flores Konder
Nascimento
16/02/1884
Local de nascimento
Itajaí/SC
Falecimento
24/09/1956
Local de falecimento
Rio de Janeiro/RJ
Formação
Direito
Profissão
Advogado e jornalista
Partido
Partido Republicano Catarinense (PRC) e União Democrática Nacional (UDN)

Adolfo Konder

Vida e família

Nasceu no dia 16 de fevereiro de 1884, em Itajaí/SC. Filho de Marcos Konder (Markus) e de Adelaide Flores Konder.

Seu pai era professor, católico, natural de Schweich, Alemanha, chegou ao Brasil em 1872 e se estabeleceu em Itajaí, para ser professor particular dos filhos da família Marlburg. Casou com Adelaide Flores e tiveram nove filhos, iniciando uma família de notáveis na política catarinense e nacional:

- Adelaide Konder Carvalho;

- Arno Konder - Cônsul-Geral do Brasil em Washington, Estados Unidos;

- Elisabet Konder Reis - casada com Oswaldo Reis, mãe de Antônio Carlos Konder Reis, Governador, Deputado Estadual e Federal do mesmo Estado;

- Evelina Konder Fleischmann;

- Marieta Konder Bornhausen - casada com Irineu Bornhausen, que foi Governador, Deputado Federal e Senador por Santa Catarina, mãe de Paulo Konder Bornhausen, também eleito Deputado Estadual e de Jorge Konder Bornhausen, Deputado Estadual e Federal, Senador e Governador de SC;

- Victor Konder - Ministro da Viação e Obras Públicas do Brasil, Deputado Federal e Estadual em SC;

- Marcos Konder - Prefeito e Vereador em Itajaí, Deputado Constituinte (de 1928 e de 1935) e Deputado Estadual na Assembleia Legislativa de SC, pai de Valério Augusto Konder (médico, militante do Partido Comunista Brasileiro e candidato ao Senado (1950) pelo Distrito Federal, pelo Partido Republicano Trabalhista); e de

- Maria - que faleceu ainda criança.

Adolfo fez os primeiros estudos em Itajaí, com o educador Stanke, de origem alemã, e continuou a formação no Colégio Santo Antônio (1892-1898), em Blumenau/SC, e no Ginásio Nossa Senhora da Conceição (1900-1903), em São Leopoldo/RS.

Bacharelou-se na Faculdade de Direito de São Paulo/SP (1908), na mesma turma de Leopoldo Diniz Martins Júnior, Vitor Konder, Fulvio Aducci e Nereu Ramos, todos advogados e políticos catarinenses.

De volta à Itajaí, trabalhou com seus irmãos no jornal Novidades, que fundaram em 1904.

Atividades Políticas 

O ano de 1910 marca o início da trajetória política de Adolfo Konder, quando secretariou o Centro Civilista de Santa Catarina e trabalhou com Hercílio Luz, apoiando a campanha de Rui Barbosa à Presidência do Brasil, tendo sido vitorioso Hermes da Fonseca.

A partir de 1913, interrompeu o exercício da advocacia, transferiu-se para o Rio de Janeiro e, aceitando convite do Chanceler José Maria da Silva Paranhos Júnior, Barão do Rio Branco, foi Oficial da Secretaria de Estado e Diretor do Bureau da Guerra, ambos do Ministério das Relações Exteriores.

No governo de Hercílio Luz, Presidente de Santa Catarina (atual cargo de Governador), exerceu a função de Secretário de Estado da Fazenda, Viação, Obras Públicas e Agricultura, de 28 de setembro de 1918 a 27 de outubro de 1920.

Pelo Partido Republicano Catarinense (PRC), elegeu-se Deputado Federal à 32ª Legislatura (1921-1923). Na Câmara, com maestria proferiu os discursos Anistia Política, em 8 de junho de 1923, e A Dupla Nacionalidade, em 19 de outubro de 1923.

Reeleito Deputado Federal, pelo mesmo partido, participou da  33ª Legislatura (1924-1926), com 14.505 votos. Integrou a Comissão de Diplomacia e Tratados da Câmara, apresentou trabalho sobre ferrovia Brasil-Paraguai e estudo sobre o Tratado assinado em 1922, entre Brasil e Portugal. Era Chefe do PRC em Santa Catarina desde 1926 e no Parlamento Federal foi Líder dessa bancada de Santa Catarina (1925-1926).

Pelo PRC, foi eleito Presidente de Santa Catarina (Governador), com 33.209 votos, tendo por Vice, Walmor Argemiro Ribeiro Branco, exerceu mandato de 28 de setembro de 1926 a 29 de setembro de 1930. Recebeu o cargo do Presidente do Congresso (atual Assembleia Legislativa), General Antônio Vicente Bulcão Viana, que governava em substituição à Hercílio Luz, que faleceu durante o mandato.

No seu governo, entre os dias 17 de abril e 18 de maio de 1929, em comitiva empreendeu viagem   ao extremo Oeste catarinense, o primeiro governante a realizar tal feito: percorreu a “região alternando os mais variados meios de transportes como automóveis, lanchas, trens e, até mesmo, mulas” ... “Essa viagem ficou conhecida como a “Bandeira Konder”; entre os vários objetivos estava um acordo entre os Presidentes Adolfo Konder, de Santa Catarina, e Getúlio Vargas, do Rio Grande do Sul, com relação à divisa entre os dois estados no que diz respeito à atuação das polícias dos respectivos estados na repressão ao banditismo local. Além dessas preocupações, destaca-se o objetivo de conhecer a região, bem como assegurar o território ameaçado pela Argentina e a “brasilidade” da população próxima da fronteira que, segundo os relatos, estava se “desnacionalizando”. (VOJNIAK, 2004, p. 57) Em Dionísio Cerqueira/SC, fundou uma escola, sediou um destacamento da Polícia Militar e nomeou um cobrador de impostos para a arrecadação de tributos.

Em 1930, também pelo PRC, elegeu-se Senador da República por Santa Catarina, com 43.867 votos, para a 35ª Legislatura (1930), mas se afastou do cargo do Senado e permaneceu à frente do Governo de Santa Catarina até transmitir a Presidência para Fulvio Aducci, eleito para governar de 1930-1934.

Com a Revolução de 1930, Adolfo partiu para o exílio, em companhia de Fulvio Aducci, de seu Vice, José Acácio Soares Moreira e outros catarinenses.  

Em 1933, voltou à atividade política. Pela Coligação “Por Santa Catarina”, formada pela união do Partido Republicano Catarinense e da Legião Republicana Catarinense, elegeu-se novamente Deputado Federal, integrou a 37ª Legislatura (1935-1937) e foi Deputado Constituinte Estadual (1935). Permaneceu na função até 1937, quando todos os Legislativos do país foram fechados.

Com Aristiliano Ramos e Henrique Rupp Júnior, fundou a União Democrática Nacional (UDN) em 1945, foi membro do Diretório Estadual, Presidente da sigla e membro da Comissão de Estudos Administrativos e Financeiros. 

No pleito de 1950, concorreu a uma das vagas de Deputado Federal por Santa Catarina, ficou na posição de Suplente e não foi convocado. Nas eleições de 1954, candidatou-se a Senador, mas não foi eleito.  

Faleceu em 24 de setembro de 1956, no Rio de Janeiro/RJ. Seu corpo foi trasladado para Florianópolis, velado no Salão Nobre do Palácio do Governo, com a presença dos familiares e diversas autoridades, sendo sepultado no Cemitério da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos.

Feitos políticos e obras publicadas 

Entre tantas realizações para o Estado de Santa Catarina, destacam-se:

  • melhoramentos nos Portos de Florianópolis, Itajaí e São Francisco do Sul;
  • dragagem do Rio Cachoeira (Joinville);
  • melhoramento das condições do tráfego da estrada que liga Joinville a Curitiba;
  • remodelamento da Força Pública Estadual (Polícia Militar do Estado);
  • inclusão do mate como produto de comercialização organizada e cooperada com os governos do Paraná e do Distrito Federal;
  • criação de Legislação sobre reflorestamento;
  • ampliação do Mercado Público de Florianópolis;
  • instituição do ensino de silvicultura nas escolas primárias;
  • criação do Dia da Árvore, no calendário escolar;
  • Primeiros Congressos (Estadual de Professores e Catarinense de Municípios);
  • obras urbanas na Capital do Estado complementando o acesso à Ponte Hercílio Luz;
  • criação da Província Eclesiástica de Santa Catarina em 1927.

Foi sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina,  fundador da Cadeira número 26, da Academia Catarinense de Letras e do Jornal “Diário da Tarde”. 

Obras publicadas:

  • A Isenção do Serviço Militar e a Dupla Nacionalidade (1924).
  • Programa de Governo (1926).
  • Pontos de um Programa (1926).

Homenagens: 

  • Estádio Adolfo Konder - inaugurado em 11 de março de 1930, no centro de Florianópolis, e demolido em 1982.
  • Ponte Adolfo Konder, em Blumenau/SC - liga os bairros Centro e Ponte Aguda, inaugurada em 1º de dezembro de 1957.
  • Escola de Ensino Básico Adolfo Konder, Velha, em Blumenau.
  • Patrono da Cadeira nº 3 da Academia de Letras de Biguaçu.
  • Vila Operária Adolfo Konder, Trindade, Florianópolis/SC.
  • Rua Adolfo Konder, Realengo, Rio de Janeiro/RJ.
  • Rua Adolfo Konder, nos municípios catarinenses de: Chapecó; Concórdia; Criciúma; Lages e Rio do Sul.
  • Alameda Adolfo Konder, Centro, Florianópolis.
  • Avenida Governador Adolfo Konder, Itajaí/SC.
  • Avenida Governador Adolfo Konder, Floresta, Joinville/SC.
  • Avenida Governador Adolfo Konder, Campinas, São José/SC.
  • Praça Adolfo Konder, Joaçaba/SC.
  • Praça Adolfo Konder, Camboriú/SC.

Mandatos

Imagens
Referências

Corregedoria. Mensagem apresentada á Assembléa Legislativa, a 11 de agosto de 1929, pelo doutor Adolpho Konder, Presidente do Estado de Santa Catarina . Florianópolis, 29 ago. 1929. , p. 51-57. Disponível em: <https://goo.gl/eg7fyG>. Acesso em: 24 nov. 2017.

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Como citar este documento
Referência

MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA. Biografia Adolfo Konder. 2018. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/1027-Adolfo_Konder>. Acesso em: 12 de dezembro de 2018.

Citação com autor incluído no texto

Memória Política de Santa Catarina (2018)

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(MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA, 2018)

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