Joaquim Xavier Neves
Joaquim Xavier Neves

Militar e fazendeiro, natural de São José/SC. Avô de Hercílio Luz. Deputado na Assembleia Legislativa Provincial de Santa Catarina, por sete vezes, Presidente interino da Província catarinense e eleito Presidente da República Juliana, mas não tomou posse, no século XIX.

Informações Gerais

Filiação
Jacinto Xavier Neves e de Joaquina Dorotéia de Jesus
Ano nascimento
1793
Local de nascimento
Paranaguá/PR
Falecimento
04/04/1872
Local de falecimento
São José/SC
Formação
Militar
Profissão
Militar, Fazendeiro
Partido
Partido Conservador

Joaquim Xavier Neves

Nasceu em Paranaguá/PR, por volta do ano 1793. Filho de Jacinto Xavier Neves e de Joaquina Dorotéia de Jesus.

Casou com Felicidade Firmina de Sousa Neves e tiveram doze filhos1, entre eles, Gaspar Xavier Neves, Deputado na Assembleia Legislativa Provincial catarinense (1870-1871), e Joaquina Ananias, casada com Jacinto José da Luz, pais de Hercílio Luz (três vezes Governador de Santa Catarina e Senador). 

Consta que também é pai de João Carlos Xavier Neves (Deputado na mesma Assembleia Legislativa de Santa Catarina (1884), tido com Maria Rosa.

Ainda jovem Joaquim mudou para São José/SC, onde se estabeleceu e adquiriu extensa propriedade no Vale do Cubatão, próximo ao município de Caldas do Norte (hoje Águas Mornas), nessas terras organizou a Fazenda do Sacramento.

Foi eleitor de paróquia2 e Vereador eleito para a Câmara de São José, exerceu mandato nos períodos: de 1833 a 1837; 1839 a 1841; e de 1853 a 1857.

Em 29 de julho de 1839 foi proclamada a República Juliana, tendo por Capital a cidade de Laguna/SC. Em agosto do mesmo ano foi convocado um colégio eleitoral e procedidas as eleições que tornaram Presidente da República, Joaquim Xavier Neves (Tenente-Coronel da Guarda Nacional de São José), mas ele não assumiu o cargo, impedido de chegar à Laguna/SC, em razão do bloqueio das forças imperiais3. Quem tomou posse foi o vice, padre Vicente Ferreira dos Santos. Embora Joaquim não tivesse participado do processo de proclamação, “ele tinha grande prestígio na região sul e na serra e detentor de ideias liberais”, “o prestígio e a influência sobre setores da tropa poderiam auxiliar os farroupilhas, inclusive, no intento de tomar Desterro. Talvez por esses motivos, ele foi escolhido”, segundo Costa (2006, p, 41).

Em 29 de outubro de 1845, Joaquim e a esposa acolheram o casal imperial D. Pedro II e Teresa Cristina, quando desembarcaram em São José para seguir visita até as fontes termais de Santo Amaro da Imperatriz/SC.

No ano seguinte, foi nomeado pelo Presidente da Província, Antero José Ferreira de Brito, do Partido Liberal, para instalar um núcleo colonial nos arredores das suas terras.

Recebeu a promoção de Tenente da 1ª Cia. de Granadeiros do 2º Regimento da Infantaria da Vila de São José, em 29 de julho de 1841, e a de Coronel Honorário da 1ª Linha do Exército da 3ª Legião, em 1º de março de 1855. Foi Comandante Superior do Comando da Capital Desterro/SC (atual Florianópolis), de São José e São Miguel/SC.

Candidato a Deputado para a Assembleia Legislativa Provincial de Santa Catarina, eleito ou suplente, integrou sete Legislaturas: (1842-1843), suplente convocado em 28 de fevereiro de 1842, assumiu e se licenciou em 22 de março do mesmo ano; (1848-1849), suplente convocado, empossado e licenciado em 29 de março de 1849; (1852-1853), eleito com 16 votos, em 19 de outubro de 1851, tomou posse; 10ª (1854-1855), foi Suplente de Secretário da Mesa Diretora (1854) e depois, licenciou-se; 12ª (1858-1859); 13ª (1860-1861), escolhido Presidente da Assembleia no ano de 1861, porém pediu dispensa do cargo; e 14ª (1862-1863). 

Era Vice-Presidente da Província de Santa Catarina, nomeado por Carta Imperial de 3 de agosto de agosto de 1869. Em substituição a Carlos Augusto Ferraz de Abreu, Joaquim assumiu interinamente a Presidência e permaneceu na função de 11 de agosto de 1869 a 22 de novembro de 1869; transmitindo-a para Manuel do Nascimento da Fonseca Galvão.

Em 1871, disputou eleição para vaga de Senador, embora tenha sido o segundo na ordem de votação na lista tríplice, não foi escolhido pelo Imperador.

Faleceu em 4 de abril de 1872, na Fazenda do Cubatão, em São José/SC.

Homenagem: Rua Joaquim Xavier Neves, Bairro Leblon, Paranaguá/PR.


1 Jacinto; Gaspar; Maria Carolina; Joaquim; Luiza Firmina; Vicente; João; Candida Leopoldina; Felicidade Firmina; João; Ana Felicidade; e Joaquina Ananias, "todos Xavier Neves". (Disponível em:
<https://www.genealogieonline.nl/en/petroucic-genealogy/I155354.php>)
2 Aquele que comprovava uma renda anual mínima de 100 mil réis, para ter direito de votar nos eleitores da província. Os eleitores da província, por sua vez, deviam comprovar  uma renda mínima de 200 mil réis, para poderem votar nos candidatos a deputado e senador.
3 Joaquim foi chamado pelo Presidente da Província catarinense informando “que seria responsabilizado por qualquer tentativa de sublevação que ocorresse em São José. Isso certamente também influiu para que Neves não fosse até Laguna assumir a presidência da República Juliana”. (COSTA, 2006, p, 42).

Mandatos

Referências

9ª Sessão Ordinária da Assembléa Provincial: Presidencia do Sr. Dr. Livramento. O Conservador. Desterro, 23 mai. 1854. Assembléa Provincial, p. 1-3. Disponível em: <https://goo.gl/gaTbDk>. Acesso em: 3 mai. 2017.

Felicitação. O Despertador. Desterro, 6 fev. 1863. , p. 1-1. Disponível em: <https://goo.gl/3md5N8>. Acesso em: 3 mai. 2017.

Governo da Província: Expediente de Fevereiro. O Correio Official: de Santa Catharina. Desterro, 14 mar. 1861. , p. 1-2. Disponível em: <https://goo.gl/6X4s8v>. Acesso em: 3 mai. 2017.

O Conciliador Catharinense. O Conciliador Catharinense: Jornal Official, Noticioso e Litterario. Desterro, 13 jun. 1849. , p. 3-4. Disponível em: <https://goo.gl/bdZzxH>. Acesso em: 3 mai. 2017.

Os Designados. A Regeneração: Jornal da Província de Santa Catharina. Desterro, 21 out. 1868. , p. 3-3. Disponível em: <https://goo.gl/RrCy64>. Acesso em: 3 mai. 2017.

Vende-se. O Dia: Orgão do Partido Republicano Catharinense. Florianópolis, 21 ago. 1908. Annuncios, p. 3-3. Disponível em: <https://goo.gl/ZqBQpZ>. Acesso em: 3 mai. 2017.

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BOITEUX, Henrique. A República Catharinense: notas para sua história. Rio de Janeiro: Xerox, 1985. 324 p.

CABRAL, Oswaldo R.. A História da Política em Santa Catarina Durante o Império. Florianópolis: Editora da UFSC, 2004.

CORREIOS/CEP. Busca "Joaquim Xavier Neves". Disponível em: <https://goo.gl/0tuPWF>. Acesso em: 3 mai. 2017.

COSTA, Gustavo Marangoni. Entre contrabando e ambigüidades: Outros aspectos da Republica Juliana - Laguna/SC - 1836 - 1845. 2006. 167 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de História, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006. Disponível em: <https://goo.gl/R9Xy3X>. Acesso em: 22 jun. 2018.

PIAZZA, Walter F. Dicionário Político Catarinense. Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1994. 714 p.

PIAZZA, Walter F. O Poder Legislativo Catarinense: das suas raízes aos nossos dias 1834-1984. Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1984. 800 p.

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STOETERAU, Lígia De Oliveira. A Trajetória do Poder Legislativo Catarinense.. Florianópolis: IOESC, 2000. 446 p.

Como citar este documento
Referência

MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA. Biografia Joaquim Xavier Neves. 2018. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/506-Joaquim_Xavier_Neves>. Acesso em: 22 de novembro de 2018.

Citação com autor incluído no texto

Memória Política de Santa Catarina (2018)

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(MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA, 2018)

Memória Política de Santa Catarina