Joaquim Gomes de Oliveira e Paiva
Joaquim Gomes de Oliveira e Paiva

Padre, professor, fundador de colégios e de jornal, jornalista, escritor, orador e literato, natural de Desterro/SC. Vereador, onze vezes Deputado, Presidente e Vice-Presidente na Assembleia Legislativa Provincial de Santa Catarina, no século XIX.

Informações Gerais

Nome completo
Joaquim Gomes de Oliveira e Paiva
Filiação
Manoel de Oliveira Gomes e Guiomar Inácia da Silva Pereira
Nascimento
12/07/1821
Local de nascimento
Desterro/SC
Falecimento
29/01/1869
Local de falecimento
Desterro/SC
Formação
Eclesiástica
Profissão
Padre, Jornalista, Professor, Escritor, Literato
Partido
Partido Cristão, Partido Conservador e Partido Liberal

Joaquim Gomes de Oliveira e Paiva

Nasceu em 12 de julho de 1821, em Desterro/SC (atual Florianópolis). Filho de Guiomar Inácia da Silva Pereira e de Manoel de Oliveira Gomes. Seu pai, português e comerciante em Desterro, tinha o apelido de “Cantigas”, que Joaquim Gomes de Oliveira e Paiva herdou, sendo conhecido como “Cantiguinhas”.

Joaquim fez os primeiros estudos primários em Desterro, com o professor Mariano Antônio Correia Borges, que foi Conselheiro Geral e Deputado na Assembleia Legislativa Provincial de Santa Catarina, entre os anos de 1824 a 1847.

Depois estudou no Seminário Diocesano São José do Rio de Janeiro/RJ (a Corte do Império), entre fevereiro de 1838 e 1842. Sendo o primeiro pensionista da Província de Santa Catarina a estudar com uma pensão anual de 120 mil réis, durante quatro anos, por meio de rubrica orçamentária referente à instrução pública. Em 14 de agosto de 1842 foi ordenado padre. Conhecido também como “Padre Paiva” e “Arcipreste Paiva”.

Retornou à Desterro onde fundou um pequeno colégio em 19 de janeiro de 1842, que inaugurou o ensino médio na província catarinense. Posteriormente, o colégio passou a ser administrado por padres jesuítas espanhóis vindos de Buenos Aires.

Assumiu como Vigário da Freguesia de São José/SC, atuando de 12 de outubro de 1844 a 21 de dezembro de 1849.

Por algum tempo atendeu a Colônia de São Pedro de Alcântara/SC, que conheceu em 26 de maio de 1845. A experiência deu origem a um destacado trabalho publicado na Revista do Instituto Histórico Brasileiro, onde analisa e tece elogios à imigração germânica na região de Desterro. 

Orador sacro de notável competência, foi quem proferiu o sermão (posteriormente impresso em 9 páginas) na recepção solene quando da visita do casal de Imperadores a São José, em 20 de setembro de 1845.

Entre 1849 e 1853 foi Vereador da Câmara de São José, porém, não cumpriu o mandato integralmente.

Em Desterro fundou o Colégio de Belas Letras, em 1850.

Redigiu para o jornal O Novo Íris, fundado em 8 de março de 1850.

De 29 de abril de 1851 a 1869 foi Vigário da Freguesia de Nossa Senhora do Desterro.

Como professor particular, lecionou durante o biênio 1857-1858 no Liceu Dom Afonso, na capital do Rio Grande do Sul/RS, onde também foi diretor.

Fundou o jornal A Regeneração, em 1852. Redator da revista religiosa e literária A Revelação, entre 1852 e 1853, quando ainda era Vigário, e editor do jornal conservador O Mensageiro, em 1855.

Em 2 de março de 1861 foi nomeado interinamente como professor da cadeira de filosofia racional e moral do Liceu Provincial. Também ensinava latim e francês.

Antes Vigário da Vara (forâneo), passou a Arcipreste da Província de Santa Catarina (chefe dos vigários da Vara da Província), em 8 de janeiro de 1863.

Fez fama por seus discursos inflamados. Era bastante conhecida sua rivalidade, que entrou para a história da literatura bem como da política catarinense, com o também deputado Marcelino Antônio Dutra. Sofreu oposição também de Antônio Pereira Pinto, enquanto esse último era o Governador da Província e Padre Paiva, Vigário da Paróquia de São José. 

Diversas vezes Deputado na Assembleia Legislativa Provincial de Santa Catarina, chegou a presidir o parlamento e participou das seguintes Legislaturas:

(1844-1845), era suplente e foi convocado em 1844, para assumir a vaga no lugar de Jerônimo Francisco Coelho, afastado para tomar posse como Deputado Geral (hoje Deputado Federal);

(1846-1847);

(1848-1849), integrou a Comissão de Justiça e Negócios Eclesiásticos e a Comissão de Estatística e Catequese;

(1850-1851), foi Vice-Presidente da Mesa Diretora, no biênio participou da Comissão de Justiça Civil e Criminal, Guarda da Constituição e das Leis, emitindo doze pareceres;

(1852-1853), eleito com 97 votos e novamente escolhido Vice-Presidente da Assembleia catarinense. Com o falecimento do Presidente da Mesa Diretora, José Pereira Sarmento, assumiu o cargo em 30 de março de 1853;

10ª (1854-1855), Vice-Presidente da Mesa Diretora;

11ª (1856-1857), Presidente da Casa, eleito em 28 de fevereiro de 1856;

13ª (1860-1861), eleito com 36 votos, no biênio integrou a Comissão de Estatística, emitindo 8 pareceres;

15ª (1864-1865), recebeu 144 votos na eleição, foi 1º Secretário da Assembleia (1864) e membro da Comissão de Instrução Pública no biênio;

16ª (1866-1867), eleito com 118 votos, novamente integrou a Comissão de Instrução Pública nos dois anos;

17ª (1868-1869), eleito com 155 votos, outra vez presidiu a Assembleia, a partir de 1o de março de 1868.

Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, sócio honorário do Ateneu Paulista e sócio efetivo da Associação Catarinense Promotora do Comércio, Agricultura e Artes.

Pertenceu ao Instituto Histórico Geográfico Brasileiro e publicou artigos na revista desse Instituto, entre eles: O Irmão Joaquim, em 1847, Memória Histórica da Colônia de São Pedro de Alcântara e Notícia Geral da Província de Santa Catarina, póstumos, impressos em 1873.

Além de diversos artigos publicados na imprensa, produziu poesias, vasta obra literária e muitos trabalhos históricos - é autor ainda da biografia do Alferes José Varella e de Joaquim Francisco do Livramento.

Pelo decreto de 25 de março de 1845, foi condecorado Cavaleiro da Imperial Ordem de Cristo. Recebeu a comenda de Cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa.

É patrono da Cadeira de no 21 da Academia Catarinense de Letras.

Pertenceu da Confraria de São Pedro, do Rio de Janeiro, e da Venerável Ordem Terceira de São Francisco.

Joaquim foi Vigário da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Desterro e Arcipreste da Província (representante regional do bispo do Rio de Janeiro) até falecer aos 48 anos de idade, em 29 de janeiro de 1869, por asfixia causada por uma infiltração serosa, devido a um mal da garganta que ocasionou paralisia. Seu velório, ocorrido na Igreja Matriz, teve a guarda de honra da Escola de Aprendizes de Marinheiros.

Embora fosse padre, há registros de que deixou descendência. 

Homenagem: Rua Arcipreste Paiva, Centro, Florianópolis/SC.

Mandatos

Referências

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE SANTA CATARINA. Centro de Memória. Arquivos das Legislaturas: de 1835 a 2018.

MATOS, Felipe. Armazém da Província: Vida Literária e Sociabilidades Intelectuais em Florianópolis na Primeira República. 2014. 241 f. Tese (Doutorado) - Curso de História, , Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2014. Disponível em: <https://goo.gl/tepJUM>. Acesso em: 7 ago. 2017.

PIAZZA, Walter F. Dicionário Político Catarinense. Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1994. 714 p.

PIAZZA, Walter F. O Poder Legislativo Catarinense: das suas raízes aos nossos dias 1834-1984. Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1984. 800 p.

STOETERAU, Lígia De Oliveira. A Trajetória do Poder Legislativo Catarinense.. Florianópolis: IOESC, 2000. 446 p.

Como citar este documento
Referência

MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA. Biografia Joaquim Gomes de Oliveira e Paiva. 2018. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/941-Joaquim_Gomes_de_Oliveira_e_Paiva>. Acesso em: 22 de novembro de 2018.

Citação com autor incluído no texto

Memória Política de Santa Catarina (2018)

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(MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA, 2018)

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