Abdon Batista
Abdon Batista

Médico e empresário, natural de Salvador/BA. Vereador em São Francisco do Sul/SC, Prefeito de Joinville/SC, Deputado Provincial e Estadual na Assembleia Legislativa, Governador Interino de Santa Catarina e Senador da República, representando os catarinenses.

Informações Gerais

Nome completo
Abdon Baptista
Filiação
Hermenegildo Batista e Maria Carolina Batista
Nascimento
30/07/1852
Local de nascimento
Salvador /BA
Falecimento
15/03/1922
Local de falecimento
Joinville/SC
Formação
Medicina
Profissão
Médico e empresário
Partido
Partido Liberal, PRC (Partido Republicano Catarinense) e PF (Partido Federalista)

Abdon Batista

Nasceu em 30 de julho de 1852, em Salvador, Bahia/BA. Filho do advogado Hermenegildo Batista e de Maria Carolina Batista

Marco Aurélio Barbosa (2014), prova que Abdon foi registrado como Abdão Senen (na certidão de batismo, não constava o nome do pai, era filho natural de Thereza Maria de Jesus, nascido em 1851, em Vera Cruz de Itaparica), depois passou para Abdon Senen Baptista e, por fim, Abdon Baptista (conforme documentos da Faculdade de Medicina). Com auxílio de descendentes do biografado, descobriu-se que é provável que Abdon tenha sido adotado pelos pais que aparecem na biografia oficial, além de que não era branco, possivelmente, filho de uma mulher negra e de um homem branco. Baseado em várias fontes e referências bibliográficas, Barbosa analisa a vida e a ascensão de Abdon.

Não há registro sobre ter frequentado alguma escola regular, apenas a referência de que com 15 anos completou o estudo secundário.

Em 1869, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, quando da matrícula pagou adiantado um ano de mensalidades. Em 1874 foi diplomado médico, aos 22 anos de idade, após defender a tese Vantagens e Desvantagens dos Processos de Amputação em Relação ao Curativo e Accidentes Consecutivos.

Entre os anos de 1874 a 1878, foi Vacinador Público, depois Promotor Público da Comarca do Villa Nova da Rainha, na Bahia, exercendo de 19 de setembro de 1879 a 28 de outubro de 1880, quando pediu exoneração. (BARBOSA, 2014, p. 30)

Na década de 1880 mudou-se para São Francisco do Sul/SC, em 1881, clinicava no hospital, em substituição ao Dr. Leopoldo Moreira da Silva (falecido em 15 de abril desse ano).

Abdon casou três vezes: a primeira foi em 1878, com Sara Afra da Graça, que faleceu um ano depois; a segunda, com Virginia Olímpia de Oliveira, com quem teve Eudoro Baptista (nascido em 16 de janeiro de 1883); e a terceira, com Thereza Augusta Nóbrega de Oliveira (ou d'Oliveira), cerimônia ocorrida em 24 de maio de 1884, em São Francisco do Sul. Do último matrimônio nasceram dez filhos: Brasilia (1885), Amazilda (1886), Maria Cesarina (1887), Alfredo Baptista (1889), Teresa Cristina (1890), Laura (1891), América de Oliveira Batista (1893) casada com Marinho de Sousa Lobo, Leonor (1985-1896), Leonor (1897) e Juracy (1900).  A esposa Thereza Augusta era filha do coronel José Antônio de Oliveira (ligado ao Partido Liberal) e de Emília Julieta Nóbrega de Oliveira. 

Raquel S. Thiago (1988), avalia que o casamento de Abdon com Thereza “foi muito significativo para o seu futuro, pois integrou-o tanto à política através de seu sogro, como ao grupo de parentela dos Gomes d'Oliveira, proporcionando-lhe a confortável posição de líder da "oligarquia do mate”. Estes últimos eram fazendeiros escravistas que se estabeleceram junto à Estrada Dona Francisca. O sogro de Abdon atuava no ramo da erva-mate. Inclusive um filho de João Gomes de Oliveira, João, casou-se com a irmã da esposa de Abdon, chamada Cezarina Adélia Nóbrega de Oliveira, filha do coronel José Antônio de Oliveira, também ervateiro.  

Abdon, além de estar envolvido no comércio e na indústria mateira (era sócio das empresas Oliveira & Genro, mais tarde A. Batista & Oscar, e depois A. Batista e Cia. Abdon, um dos maiores acionistas da Sociedade Industrial Catarinense), fazia atendimento médico constante, atuava como Juiz de Paz e jornalista - redator do O Democrata, por volta de 1884, jornal comprado por Abdon e pelo sogro, que servia como meio para propagar as ideias e as propostas do Partido Liberal e também como fonte de informação, anúncios e publicação dos atos da administração pública.

Em 1888, Abdon transferiu-se para Joinville/SC, onde continuou clinicando e ampliou os negócios da erva-mate, exportando para a Argentina e o Chile. Nessa época era acionista da Cia. Industrial, que mantinha linha regular de navios cargueiros do porto de São Francisco até Valparaíso.

Atuação Política

Filiou-se no Partido Liberal por volta de 1880 e em 1883, candidatou-se à Conselheiro Municipal em São Francisco do Sul, mas não se elegeu.

Em 1883, pelo mesmo partido, candidatou-se e foi eleito Deputado à Assembleia Legislativa Provincial de Santa Catarina, com 135 votos, para a 25ª Legislatura (1884-1885), sendo escolhido entre os deputados, o 1º Secretário da Mesa Diretora. Em nova eleição para o parlamento estadual, foi eleito com 613 votos para a 27ª Legislatura (1888-1889) e respondeu como Presidente da Assembleia nos dois anos. Nesse mandato, exercia ainda vereança e a Presidência da Câmara de São Francisco do Sul, no ano de 1887 – o que era permitido à época. Quando não estava presente na Assembleia, assumia o 1º Vice-Presidente, o Dep. Duarte Schutel.

Assumiu interinamente a Presidência da Província catarinense (cargo atual de Governador), de 26 de junho a 19 de julho de 1889.

Após a Proclamação da República (15 de novembro de 1889), foi eleito mais duas vezes Deputado Estadual na Assembleia Legislativa Catarinense, participando da Legislatura (1893-1895) do Congresso Representativo, eleito com 5.171 votos, e da Legislatura (1901-1903), recebeu 4.611 votos na eleição. Nos dois períodos já integrava Partido Federalista Catarinense, que ajudou a fundar.

A Revolução Federalista (de fevereiro de 1893 a agosto de 1895), que, entre outras coisas, pretendia um Governo Central forte, a Federação, com autonomia dos estados, e a revisão da Constituição, avançava do Rio Grande do Sul para Santa Catarina e Paraná/PR. Abdon, como líder local e federalista de Joinville, escapou da repressão, seguindo de navio para o exílio na Argentina, em 1894. Retornou quando os líderes foram anistiados e voltou a atuar politicamente.

Foi Intendente Municipal em Joinville (hoje denominado “Prefeito”) nos períodos de:

- 1º de janeiro de 1892 a 1º de janeiro de 1893;
- 1º de janeiro de 1893 a 7 de fevereiro de 1894;
- de 1915 a 1918; e
- de 1919 a 1921.

Sua contribuição para Joinville: viabilizou a reforma do ensino público, com a direção do Prof. Orestes Guimarães do Colégio de Joinvile, escola fundada pelo Padre Boegershausen, em 1858, e na fundação do Orfanato de Joinville, entre outras.

Deputado Federal eleito quatro vezes, por Santa Catarina, exerceu mandato nas seguintes Legislaturas: 26ª (1903-1905); 28ª (1909-1911);  29ª (1912-1914); e 31ª (1918-1920).

De 28 de setembro de 1906 a 21 de novembro de 1906, assumiu novamente como Governador Interino de Santa Catarina.

Foi ainda Senador da República, representando os catarinenses participou da 29ª Legislatura (1912-1915).

Dedicou mais de 30 anos à política catarinense e contribuiu para o desenvolvimento econômico da região norte e do Estado de Santa Catarina.

Faleceu em 15 de março de 1922, em Joinville/SC, vítima de insuficiência hepato-renal, conforme registro de óbito.

Homenagens:

- Município de Abdon Batista, a partir de 1989.
- Escola Municipal Doutor Abdon Baptista, Petrópolis, Joinville/SC.
- Escola de Ensino Médio Abdon Batista, Centro, Jaraguá do Sul/SC.
- Rua Abdon Batista, Saco dos Limões, Florianópolis/SC.
- Rua Abdon Batista, Centro, Joinville/SC.
 
Imagem:
 
Fonte: (https://goo.gl/HPAZZR)

Mandatos

Referências

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Como citar este documento
Referência

MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA. Biografia Abdon Batista. 2018. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/5-Abdon_Batista>. Acesso em: 12 de dezembro de 2018.

Citação com autor incluído no texto

Memória Política de Santa Catarina (2018)

Citação com autor não incluído no texto

(MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA, 2018)

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