José Maria da Luz
José Maria da Luz

Comerciante e militar, natural de Desterro/SC. Deputado na Assembleia Legislativa Provincial de Santa Catarina, por oito vezes, no século XIX.

Informações Gerais

Filiação
José Antônio da Luz e Maria Joaquina da Luz
Nascimento
27/08/1806
Local de nascimento
Desterro/SC
Ano falecimento
1887
Local de falecimento
Palhoça/SC
Formação
Militar
Profissão
Comerciante e militar
Partido
Partido Conservador

José Maria da Luz

Nasceu em 27 de agosto de 1806, em Desterro/SC (hoje Florianópolis), na Freguesia de Nossa Senhora das Necessidades (atual Santo Antônio de Lisboa). Filho de José Antônio da Luz e Maria Joaquina da Luz.

José Maria recebeu a patente de Alferes da 3ª Cia. do 2º Regimento de Infantaria de Linha, em 13 de outubro de 1823, e a de Tenente da 1ª  Cia. do Batalhão de Caçadores de 2ª Linha, em 30 de dezembro de 1825.

Em 1829, casou com Clara Francisca da Costa Luz1 e tiveram os filhos Francisco Costa da Luz, Augusto Fausto da Luz e o Marechal Francisco Carlos da Luz, entre outros; a esposa faleceu em 1836. O segundo matrimônio aconteceu em  1839, com Maria Carolina Duarte Silva da Luz2, com quem teve: Diogo Duarte Silva da Luz, Isaura Duarte Silva da Luz e Carlos Duarte Silva da Luz; Maria Carolina faleceu em 1857.

Além do filho Francisco Carlos da Luz (Deputado na Assembleia Geral Legislativa do Império, por três vezes, e Deputado eleito para a Assembleia Legislativa Provincial, 1876-1877), José teve vários familiares que ocuparam funções políticas: João Pinto da Luz; José Pinto da Luz; Elesbão Pinto da Luz; Abelardo Venceslau da Luz; Hercílio Luz (seu sobrinho), Edmundo da Luz Pinto (seu neto), entre outros.

José Maria era comerciante, especialmente de alcatrão, e sócio do seu irmão, João Pinto da Luz, que foi Deputado na Assembleia Legislativa Provincial de Santa Catarina por quatro vezes, entre os anos de 1850 e 1867. Um dos líderes do Partido Conservador, junto de seus irmãos João Pinto da Luz e Jacinto José da Luz.

Foi Deputado na Assembleia Legislativa Provincial de Santa Catarina por oito Legislaturas: (1848-1849); (1850-1851); (1852-1853), obteve 97 votos na eleição, compôs a Comissão de Justiça Civil e Criminal, Guarda da Constituição e das Leis, que emitiu 5 pareceres, e foi  escolhido Suplente de Secretário da Mesa Diretora; 10ª (1854-1855); 11ª (1856-1857), exerceu novamente a suplência de Secretário (em 1856) e compôs a Comissão de Estatística (expediu 5 pareceres); 13ª (1860-1861), eleito com 15 votos e, outra vez, Suplente de Secretário (em 1860) e integrante da Comissão das Câmaras Municipais, que emitiu 8 pareceres, 18ª (1870-1871), suplente na eleição, convocado, tomou posse como Deputado; 19ª (1872-1873), integrou a Comissão de Justiça Civil e Criminal (emitiu 4 pareceres) e a Comissão de Comércio (redigiu 5 pareceres). José Maria e João Pinto da Luz atuaram juntos na 8ª e na 9ª Legislatura da Assembleia.

Quando era Deputado costumava doar sua remuneração para instituições religiosas e beneficentes, em especial ao Hospital de Caridade do Desterro e de Laguna/SC, à Igreja de Nossa Senhora das Necessidades e à Igreja de São Sebastião. Graças às doações começou a tradicional procissão marítima de Nossa Senhora dos Navegantes, em 1857. José Maria e João Pinto da Luz atuaram juntos na 8ª e na 9ª Legislatura da Assembleia.

De 1862 a 1873 exerceu a vereança na Câmara de São José/SC. Durante o mandato mudou-se da chácara da Praia de Fora para a Fazenda do Passa-Vinte. Em outras Legislaturas foi Vereador em São José.

José Maria da Luz e os irmãos, João Pinto e Jacinto José, apoiaram a construção do Mercado Público de Desterro no local onde se encontra hoje, em Florianópolis. Tal proposta recebeu críticas porque as feiras e o comércio de produtos eram feitos nas imediações do Largo da Matriz ou Largo do Palácio (atual Praça XV de Novembro) e, em função da chegada do Imperador, resolveram afastar o polo para mais longe do Palácio do Governo, que ficava e fica na mesma praça. 

A primeira medida tomada pelas autoridades do Desterro quando o imperador D. Pedro II anunciou visita à cidade, em 1845, foi mandar para o outro lado do rio da Bulha (o canal da atual avenida Hercílio Luz) as barraquinhas que comercializavam pescados e alimentos na praça central, vizinha do palácio do governo. Até então, na área próxima à Catedral se aglomeravam mascates, oleiros, pescadores e colonos que vendiam, em condições precárias, sua produção aos moradores da ainda incipiente vila à beira-mar. (SCHMITZ, 2015, NDonline)

Faleceu em dezembro de 1887, em Palhoça/SC.

Homenagens:

Rua José Maria da Luz, Bairro José Mendes, em Florianópolis/SC.

Rua José Maria da Luz, Centro, em Palhoça/SC.

Condecoração: Cavaleiro da Ordem de Cristo (3 de novembro de 1845).


1 Filha de Francisco Antônio Cardoso e Ana Francisca da Costa.

2 Filha de Josefa Fort Duarte Silva e de Diogo Duarte Silva (português radicado em Desterro/SC, defendeu a independência brasileira, primeiro Constituinte catarinense na Assembleia Geral do Império (1826-1833) e Conselheiro Geral da Província de Santa Catarina (1834-1837)). O filho do casal, Carlos Maria Duarte Silva, e o neto, Carlos Duarte Silva, também participaram da política.

Mandatos

Referências

11ª Sessão ordinária da Assembléa Legislativa Provincial: Presidencia do Sr. Dr. Livramento. O Conservador. Desterro, 30 mai. 1854. Assembléa Provincial, p. 1-2. Disponível em: <https://goo.gl/2rNrg9>. Acesso em: 2 jun. 2018.

14ª Sessão Ordinária: Presidencia do Senhor Sarmento. O Novo Iris: Jornal Politico, Literario, Industrial e Mercantil. Desterro, 3 mai. 1850. Assemblea Provincial, p. 1-2. Disponível em: <https://goo.gl/BjJymT>. Acesso em: 2 jun. 2018.

Annuncios. O Mercantil: Jornal da Província de Santa Catharina. Desterro, 9 jun. 1861. , p. 4-4. Disponível em: <https://goo.gl/Hfj6wz>. Acesso em: 2 jun. 2018.

Assembleia Provincial. O Conservador. Cidade do Desterro, 3 mar. 1854. , p. 1-2. Disponível em: <https://goo.gl/KPcHzn>. Acesso em: 2 jun. 2018.

Communicado. O Catharinense: Jornal Politico e Noticioso. Desterro, 31 out. 1860. , p. 2-3. Disponível em: <https://goo.gl/vYUSsn>. Acesso em: 2 jun. 2018.

Eleição Geral. Conservador: Orgão do Partido. Desterro, 22 out. 1884. Secção Geral, p. 1-2. Disponível em: <https://goo.gl/aJjLoJ>. Acesso em: 2 jun. 2018.

Fundação da Capela de S. Sebastião. O Argos: da província de Santa Catharina. Cidade do Desterro, 22 jan. 1856. Communicado, p. 2-3. Disponível em: <https://goo.gl/KnP2mb>. Acesso em: 2 jun. 2018.

Governo da Província: Dia 21. O Correio Official: de Santa Catharina. Desterro, 7 set. 1860. Parte Official, p. 2-4. Disponível em: <https://goo.gl/iC93ui>. Acesso em: 2 jun. 2018.

Juizo Municipal da Capital: O Doutor Sergio Lopes Falcão, Juiz Municipal desta Cidade do Desterro e seu Termo. O Conciliador Catharinense: Jornal Official, Noticioso e Litterario. Desterro, 23 mai. 1849. Editaes, p. 4-4. Disponível em: <https://goo.gl/5gYL5z>. Acesso em: 2 jun. 2018.

Noticiário. O Progressista: Jornal Politico, Litterario, e Noticioso. Desterro, 20 mar. 1860. , p. 2-3. Disponível em: <https://goo.gl/gSs5Lt>. Acesso em: 2 jun. 2018.

P. S.. O Conservador. Desterro, 2 mar. 1855. , p. 4-4. Disponível em: <https://goo.gl/rxWnEj>. Acesso em: 2 jun. 2018.

Palhoça. O dia: Orgão do Partido Republicano Catharinense. Florianópolis, 29 jan. 1901. Tribuna Livre, p. 3-3. Disponível em: <https://goo.gl/ByMoJM>. Acesso em: 2 jun. 2018.

Publicação a pedido. A Estrella: Periodico Litterario, Politico e Noticioso. Santa Catarina, 13 jun. 1861. , p. 2-3. Disponível em: <https://goo.gl/TrL77M>. Acesso em: 2 jun. 2018.

Requerimentos despachados. Republica: Jornal da tarde. Desterro, 7 fev. 1891. Governo do Estado, p. 2-3. Disponível em: <https://goo.gl/v27BZr>. Acesso em: 2 jun. 2018.

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Secretaria do Governo: Expediente do dia 14 de Abril. Correio Catharinense: Jornal Commercial, Noticioso, e Litterario. Desterro, 20 abr. 1853. Parte Official, p. 1-2. Disponível em: <https://goo.gl/SuGfjF>. Acesso em: 2 jun. 2018.

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ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE SANTA CATARINA. Centro de Memória. Arquivos das Legislaturas: de 1835 a 2018.

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PIAZZA, Walter F. Dicionário Político Catarinense. Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1994. 714 p.

PIAZZA, Walter F. O Poder Legislativo Catarinense: das suas raízes aos nossos dias 1834-1984. Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1984. 800 p.

SCHMITZ, Paulo Clóvis. A construção do Mercado Público de Florianópolis, em 1845, começa com a discórdia das barraquinhas. 2015. Disponível em: <https://goo.gl/muQPtZ>. Acesso em: 2 jun. 2018.

STOETERAU, Lígia De Oliveira. A Trajetória do Poder Legislativo Catarinense.. Florianópolis: IOESC, 2000. 446 p.

Como citar este documento
Referência

MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA. Biografia José Maria da Luz. 2018. Disponível em: <http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/565-Jose_Maria_da_Luz>. Acesso em: 12 de dezembro de 2018.

Citação com autor incluído no texto

Memória Política de Santa Catarina (2018)

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(MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA, 2018)

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